
O Papa pediu perdão de novo.
Desta vez por causa dos “abusos sexuais” cometidos pelos sacerdotes católicos. Tenho me perguntado por que se tornou um fenômeno o ato dele pedir perdão. A mídia ressoa suas palavras como se todo o dano causado fosse equacionado milagrosamente. É obvio que isso não acontece, entretanto suas palavras “mágicas” criam uma onda de conforto suficiente para inviabilizar qualquer reparação efetiva por parte da instituição católica, personificada pelo mesmo.
A primeira vez que um Papa pediu clemência pela igreja foi em 2000, ano do jubileu milenar, quando o papado era exercido pelo carismático João Paulo II. Na ocasião, numa única tacada, a igreja se absolveu 1) das culpas do passado, 2) do emprego de “métodos não evangélicos” no serviço da fé, 3) da separação dos cristãos, 4) das perseguições contra os judeus, 5) do desrespeito aos direitos dos povos e de suas respectivas culturas e religiões, 6) dos atentados contra a dignidade da mulher e, 7) das violações dos direitos humanos.
A primeira vez que um Papa pediu clemência pela igreja foi em 2000, ano do jubileu milenar, quando o papado era exercido pelo carismático João Paulo II. Na ocasião, numa única tacada, a igreja se absolveu 1) das culpas do passado, 2) do emprego de “métodos não evangélicos” no serviço da fé, 3) da separação dos cristãos, 4) das perseguições contra os judeus, 5) do desrespeito aos direitos dos povos e de suas respectivas culturas e religiões, 6) dos atentados contra a dignidade da mulher e, 7) das violações dos direitos humanos.
Desde então, pedir perdão tornou-se uma prática papal. Já houve pedido de remissão ao povo chinês pela atuação dos missionários católicos e aos cristãos ortodoxos pela intolerância praticada para com eles. Da mesma forma a igreja confessou sua “mea culpa” em relação às guerras e à recente escravidão colonial.
Uau! Pensar que eu pedia perdão a Deus por comer ou dormir demais...
Brincadeiras a parte, não é muito difícil perceber que a igreja cristã co-protagoniza a produção e a gestão de poder e conhecimento do mundo ocidental, principalmente. (O oriente também se pensarmos que o mesmo foi construído a partir e pelo ocidente como nos explica Said em seu livro “Orientalismo”).
Os valores cristãos estão diluidamente presentes em todas as nossas instituições sociais e mesmo que você não seja cristão sua vida, suas ações, suas relações são intrinsecamente influenciadas por eles. (Weber, 2002; Nietzsche, 2002; Foucault, 1998)
Esse fenômeno é preocupante porque o cristianismo é doutrinário e dogmático, portanto não há diálogo ou dialética, há apenas um discipulado unilateral. Infelizmente esta característica exclusivista da religião cristã tem sido a causa de inúmeras discriminações, marginalizações e desumanizações de grupos que desviam das normas morais por ela estipuladas e legitimadas pelas ciências biológicas e sociais hegemônicas.
Arriscaria dizer que todos os pecados da igreja cristã citados pelos papas oriundam deste dispositivo exclusivista. Portanto o reconhecimento da culpa não deve se resumir a si mesmo, mas re-significar seus discursos e suas práticas, por meio de uma contextualização sincera e séria de seus princípios. Caso contrário, volto a perguntar já sabendo a resposta. Para que servem os pedidos de perdão do Papa? Para quase nada.
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FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de janeiro: Graal, 1988
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 2002
SAID, E. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1990
WEBER,M A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo, Ed. Martin Claret, 2002.


