2) O CNE não proibiu a distribuição do livro. Apenas indicou que o mesmo seja acompanhado de uma nota técnica, que instrui @s professores a contextualizar a obra ao momento histórico em que ela foi escrita.
3) Monteiro Lobato era assumidamente racista e, para além da literatura, escrevia cartas nas quais afirmava sua ideologia não apenas racista, mas também eugênica:
"País de mestiços, onde branco não tem força para organizar uma Kux-Klan (sic), é país perdido para altos destinos. (...) Um dia se fará justiça ao Ku-Klux-Klan; tivéssemos aí uma defesa desta ordem, que mantém o negro em seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva" (carta de Lobato enviada a Arthur Neiva em 10 de abril de 1928)
4) O referido livro faz referências diretas entre as personagens negras e os macacos, reforçando os discursos coloniais, ainda vigentes em nosso imaginário, que animalizam e, portanto, inferiorizam e desumanizam as pessoas negras.
5) A última edição do livro em questão foi publicada pela Globo Editora.
O CNE juntamente com o movimento negro reivindicam que livros como esse sejam contextualizados e problematizados para que tais lógicas racistas não continuem sendo reproduzidas resignadamente por noss@s professor@s e estudantes.
Isso não é óbvio??? Qual é o crime disso???
Crime é o racismo. Lei conquistada constitucionalmente pelos movimentos sociais desse país.
E seja você "gente boa", artista, brilhante, genial, comediante, o que for... aqui não tem mais espaço para o racismo e, sim, vamos lutar em todas as instâncias para que isso se torne uma realidade concreta o mais rápido possível.
