quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O cabelo do Gianecchini e o nosso racismo de cada dia

Cansei. Cansei de hipocrisia barata.
Você acha mesmo que não há racismo no Brasil?
Que discutir o assunto e lutar por políticas anti-racistas é um grande exagero porque somos uma nação tolerante, pautada pela mestiçagem e misgenação?
Faça um breve exercício, por favor: Escreva "cabelo do Gianecchini" no buscador do Google, leia meia dúzia das reportagens que aparecem e reflita criticamente o porquê a população repudiou seu galã com cabelo enrolado.
 

Sinto informar que não há escapatória para a conclusão: Nosso padrão de beleza (estético) é racista.
Só há uma beleza genuína em nosso imaginário e ela é branca, de cabelo liso e traços finos. O que desvia disso flerta com o feio, o bizarro e, pasmem, com a sujeira.
A miscigenação foi (e é) valorizada e incentivada porque na maioria dos casos ela embranquece. Não se iluda, se ela escurecesse ou reforçasse os traços negróides das pessoas ela não seria aplaudida pela nação brasileira.
O Gianecchini é prova disso. Ele enegresceu, por meio dos cabelos, e foi repudiado.
No entanto, o ator parece ser uma pessoa bem amparada emocional e materialmente e tal agressão racista não lhe causará tanto impacto.
Mas como ficam @s milhões de brasileir@s que diariamente são bombardead@s simbolicamente com discursos que destroem a sua auto-imagem?
Muitos estão literalmente queimando suas cabeças com formol para embranquecerem e ficarem "mais bonitos".
O racismo mata e, na maioria dos casos, mata aos poucos, de dentro para fora.
Isso tem que acabar.

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