"Oras, ele é adulto. Adulto não chupa chupeta!", alguns diriam.
Será mesmo apenas uma questão geracional?
Se fosse uma mulher, também adulta, chupando chupeta haveria tanto motivo de chacota? Sinceramente, acredito que não.
O que estava em jogo era a masculinidade de Adauto.
Será mesmo apenas uma questão geracional?
Se fosse uma mulher, também adulta, chupando chupeta haveria tanto motivo de chacota? Sinceramente, acredito que não.
O que estava em jogo era a masculinidade de Adauto.
A chupeta era a prova, para ele e seus pares, de que ele nunca "virou
homem" de verdade. Atestava as marcas da sua fragilidade, ingenuidade,
sensibilidade - características tipicamente femininas - que foram
evidentes durante toda a novela, mas que se "personificou" na chupeta e
evidenciou como a crueldade do machismo e da homofobia podem destruir a
subjetividade de uma pessoa.
Seria esperar demais da emissora em
questão que o tema fosse mais trabalhado que isso e o desfecho da trama foi meramente superficial: Chupeta queimada e o triunfo do gol. Ou seja, Adauto
conseguiu "virar homem de verdade" com ajuda da sua namorada.
Decepções com o roteiro a parte, cabe a nós refletir e problematizar
cotidianamente as questões de gênero impregnadas em nossos discursos e
práticas. Cabe a nós desconstruir o machismo e a homofobia encarnados em
nossa vida. Cabe a nós re-significar nosso olhar e o mundo a nossa
volta e fazê-lo mais interessante, contextual e criativo.

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